Dados da Obra

Senhora: Perfil de mulher

Escritor José de Alencar (1829-1877)
Classificação Romance ou novela
Anos

Ano de publicação: 1875

Outros dados
Idioma
Português
Meio de publicação
Impresso
Fontes
  • BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893. 7 v.
  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; Academia Brasileira de Letras, 2001. 2 v. ISBN 8526007238
Referência ALENCAR, José de. SENHORA: PERFIL DE MULHER. Rio de Janeiro, RJ: Livraria Garnier, 1875.

Dados da Wikipédia

Senhora é romance urbano do escritor brasileiro José de Alencar, publicado em 1874, na forma de folhetim. Um dos últimos romances de Alencar, lançado em livro em 1875, dois anos antes da morte do escritor. Da mesma forma que Iracema é o coroamento da ficção indianista, Senhora é, juntamente com Lucíola, um dos pontos altos da sua ficção citadina e de atualidade. Romance de final feliz é o último desenvolvimento — agora em clave de maior densidade psicológica — do motivo do conflito entre o amor e o interesse, presente desde os primeiros livros, notadamente A viuvinha. Senhora é um dos três livros, junto com Diva e Lucíola, a que o autor acrescentou, na edição original, o subtítulo: “Perfil de Mulher”. “O romance denuncia o casamento por conveniência social, prática burguesa normal para os padrões da época, os quais negavam aos jovens o direito de escolha afetiva, ou seja, a possibilidade de decidirem livremente com quem namorar ou casar. Mas isso não constituía uma violência declarada da época, porque a noção de família tinha mais valia de que a de noção de indivíduo ” O romance narra, basicamente, a trajetória de uma mulher, Aurélia Camargo, que, quando pobre, foi passada para trás pelo homem que ela amava, Fernando Seixas. Depois de enriquecer graças a uma herança inesperada, tornando-se “uma linda e rica jovem da sociedade carioca, bajulada por muitos pretendentes”, Aurélia procura se vingar de Fernando, que passava por um aperto financeiro, “comprando-o” por um dote vultoso de cem contos de réis. Após um longo período de casamento tenso, pleno de observações cáusticas e irônicas, sem que cheguem a consumar carnalmente a união (embora mantenham em sociedade as aparências de um casamento normal), o casal só vai conseguir se reconciliar depois que o marido – à semelhança de um escravo que compra sua alforria – “compra de volta” sua liberdade devolvendo à esposa o dote recebido. “Com Senhora […] o romancista escarafunchou um território delicado, o das relações amorosas convertidas em econômicas, cujo leme escorrega das mãos masculinas para se encaixar nas femininas de Aurélia Camargo.” O estilo descritivo, derramado, detalhista, adjetivado, tão próprio da estética romântica, mas superado pela ousadia estilística de Machado de Assis, pode parecer estranho ao leitor contemporâneo habituado à concisão e objetividade, mas tenhamos em mente que Alencar é um exímio contador de histórias, e vale a pena “enfrentar o cipoal de descrições hoje consideradas enfadonhas para descobrir histórias tão extraordinárias que merecem viver para sempre”. Aurélia é tida como o protótipo da mulher independente, a “mulher de fibra” nas palavras do próprio autor, mas sua independência só foi obtida graças à herança súbita do avô, não aos méritos próprios. Além disso, os protagonistas têm falhas de caráter: Fernando, ao melhorar de vida, mostra-se indiferente à pobreza em que vivem sua mãe e irmã, e Aurélia dilapida sua herança de forma totalmente egoísta, investindo numa vida refinada, sem ajudar ninguém. Uma cena memorável do livro que merece ir para as antologias dos "melhores momentos" da literatura brasileira é quando o casal Aurélia e Fernando dança uma valsa vertiginosa, deixando tontos tanto os valsistas quanto os observadores: “o par rodopia em frente à sociedade local, promovendo um invejável faz de conta de felicidade conjugal”. Observa o autor: "A valsa é filha das brumas da Alemanha, e irmã das louras valquírias do norte."

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Descrição

2 volumes.

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Fatos históricos associado à obra

Ano de início Ano de final Evento histórico
1831 1838 Período Regencial: Revoltas populares no Período Regencial
1831 1831 Abdicação de D. Pedro I
1831 1840 Período Regencial no Brasil
1833 1833 Criação da Companhia Dramática Nacional
1834 1834 Cultura: criação do Teatro Nacional
1834 1834 Período Regencial: Revolta da Cabanagem, no Pará
1834 1834 D. Pedro I morre em Lisboa
1835 1845 Período Regencial: Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul
1837 1837 Período Regencial: Revolta da Sabinada, na Bahia
1838 1838 Período Regencial: Revolta da Balaiada, no Maranhão
1838 1838 Fundação do Instituto Histórico e Geográfico
1840 1840 Golpe da Maioridade de D. Pedro II
1840 1889 Segundo Reinado - D. Pedro II governa o Brasil
1841 1841 Os governos de Buenos Aires e britânico firmam um tratado contra o tráfico de escravos
1841 1841 El Salvador se constitui em república unitária e independente das outras repúblicas da América Central
1842 1842 Revolução Liberal em São Paulo e Minas Gerais
1843 1843 Começa o estado de sítio de Montevidéu, com as tropas do Governo de Rosas
1844 1844 Segundo Reinado: D. Pedro II anistia os líderes da revolução de 1842
1845 1845 Morse inventa o telégrafo elétrico
1848 1848 Publicação do Manifesto Comunista
1848 1848 Rebelião Praieira em Pernambuco
1850 1870 Apogeu do Império no Brasil
1850 1850 Inauguração da linha de vapores do Rio de Janeiro para a Europa
1850 1850 Criação da província do Amazonas
1850 1850 A Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico negreiro
1851 1852 Conflito: Guerra contra Rosas e Oribe
1852 1852 Conflito: Batalha de Monte Caseros (Argentina). General Urquiza derrota o presidente Rosas
1852 1852 Inauguraçao das primeiras linhas telegráficas do Brasil
1854 1854 Inauguração da primeira estrada de ferro do Brasil
1855 1855 Início da carreira literária de Machado de Assis
1857 1857 Cultura: Flaubert publica Madame Bovary
1857 1857 08/03 - ataque incendiário da polícia causa morte de 129 operárias americanas, na fábrica Cotton, em Nova York. Na data, foi instituído o Dia Internacional da Mulher.
1859 1859 Ciência: Darwin lança A Origem das Espécies
1861 1861 Brasil e Inglaterra rompem relações diplomáticas
1861 1865 Guerra da Secessão nos Estados Unidos
1861 1861 Rompimento de relações entre Brasil e Inglaterra (Questão Christie)
1861 1861 O Paraguai declara guerra ao Brasil - Solano Lopes invade o Mato Grosso
1864 1865 Guerra contra Aguirre, do Uruguai
1865 1870 Guerra do Paraguai
1867 1867 Publicação de "O Capital", de Carl Marx
1867 1867 Inauguração da estrada de ferro Santos-Jundiaí
1869 1869 Inauguração do canal de Suez
1870 1870 Intelectuais portugueses debatem idéias anti-burguesas e anti-românticas
1870 1889 Declínio do Império no Brasil
1870 1870 Lançamento da Campanha Republicana no RJ
1871 1871 Comuna de Paris
1871 1871 Lei do Ventre Livre, declara libertos os filhos de escravos, nascidos a partir dessa data
1873 1873 Primeiro Congresso do Partido Republicano Paulista
1875 1875 Fim da Questão Religiosa
1876 1876 Conflito: assinatura do tratado de paz que pôs fim à guerra entre Argentina e Paraguai
1876 1876 Ciência: Graham Bell patenteia o telefone, sua invenção
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