Dados da Obra
Senhora: Perfil de mulher
Ano de publicação: 1875
- BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1893. 7 v.
- COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; Academia Brasileira de Letras, 2001. 2 v. ISBN 8526007238
Dados da Wikipédia
Senhora é romance urbano do escritor brasileiro José de Alencar, publicado em 1874, na forma de folhetim. Um dos últimos romances de Alencar, lançado em livro em 1875, dois anos antes da morte do escritor. Da mesma forma que Iracema é o coroamento da ficção indianista, Senhora é, juntamente com Lucíola, um dos pontos altos da sua ficção citadina e de atualidade. Romance de final feliz é o último desenvolvimento — agora em clave de maior densidade psicológica — do motivo do conflito entre o amor e o interesse, presente desde os primeiros livros, notadamente A viuvinha. Senhora é um dos três livros, junto com Diva e Lucíola, a que o autor acrescentou, na edição original, o subtítulo: “Perfil de Mulher”. “O romance denuncia o casamento por conveniência social, prática burguesa normal para os padrões da época, os quais negavam aos jovens o direito de escolha afetiva, ou seja, a possibilidade de decidirem livremente com quem namorar ou casar. Mas isso não constituía uma violência declarada da época, porque a noção de família tinha mais valia de que a de noção de indivíduo ” O romance narra, basicamente, a trajetória de uma mulher, Aurélia Camargo, que, quando pobre, foi passada para trás pelo homem que ela amava, Fernando Seixas. Depois de enriquecer graças a uma herança inesperada, tornando-se “uma linda e rica jovem da sociedade carioca, bajulada por muitos pretendentes”, Aurélia procura se vingar de Fernando, que passava por um aperto financeiro, “comprando-o” por um dote vultoso de cem contos de réis. Após um longo período de casamento tenso, pleno de observações cáusticas e irônicas, sem que cheguem a consumar carnalmente a união (embora mantenham em sociedade as aparências de um casamento normal), o casal só vai conseguir se reconciliar depois que o marido – à semelhança de um escravo que compra sua alforria – “compra de volta” sua liberdade devolvendo à esposa o dote recebido. “Com Senhora […] o romancista escarafunchou um território delicado, o das relações amorosas convertidas em econômicas, cujo leme escorrega das mãos masculinas para se encaixar nas femininas de Aurélia Camargo.” O estilo descritivo, derramado, detalhista, adjetivado, tão próprio da estética romântica, mas superado pela ousadia estilística de Machado de Assis, pode parecer estranho ao leitor contemporâneo habituado à concisão e objetividade, mas tenhamos em mente que Alencar é um exímio contador de histórias, e vale a pena “enfrentar o cipoal de descrições hoje consideradas enfadonhas para descobrir histórias tão extraordinárias que merecem viver para sempre”. Aurélia é tida como o protótipo da mulher independente, a “mulher de fibra” nas palavras do próprio autor, mas sua independência só foi obtida graças à herança súbita do avô, não aos méritos próprios. Além disso, os protagonistas têm falhas de caráter: Fernando, ao melhorar de vida, mostra-se indiferente à pobreza em que vivem sua mãe e irmã, e Aurélia dilapida sua herança de forma totalmente egoísta, investindo numa vida refinada, sem ajudar ninguém. Uma cena memorável do livro que merece ir para as antologias dos "melhores momentos" da literatura brasileira é quando o casal Aurélia e Fernando dança uma valsa vertiginosa, deixando tontos tanto os valsistas quanto os observadores: “o par rodopia em frente à sociedade local, promovendo um invejável faz de conta de felicidade conjugal”. Observa o autor: "A valsa é filha das brumas da Alemanha, e irmã das louras valquírias do norte."
Ver na WikipédiaDescrição
2 volumes.
Arquivos do Documento
Nuvem de palavras
Fatos históricos associado à obra
| Ano de início | Ano de final | Evento histórico |
|---|---|---|
| 1831 | 1838 | Período Regencial: Revoltas populares no Período Regencial |
| 1831 | 1831 | Abdicação de D. Pedro I |
| 1831 | 1840 | Período Regencial no Brasil |
| 1833 | 1833 | Criação da Companhia Dramática Nacional |
| 1834 | 1834 | Cultura: criação do Teatro Nacional |
| 1834 | 1834 | Período Regencial: Revolta da Cabanagem, no Pará |
| 1834 | 1834 | D. Pedro I morre em Lisboa |
| 1835 | 1845 | Período Regencial: Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul |
| 1837 | 1837 | Período Regencial: Revolta da Sabinada, na Bahia |
| 1838 | 1838 | Período Regencial: Revolta da Balaiada, no Maranhão |
| 1838 | 1838 | Fundação do Instituto Histórico e Geográfico |
| 1840 | 1840 | Golpe da Maioridade de D. Pedro II |
| 1840 | 1889 | Segundo Reinado - D. Pedro II governa o Brasil |
| 1841 | 1841 | Os governos de Buenos Aires e britânico firmam um tratado contra o tráfico de escravos |
| 1841 | 1841 | El Salvador se constitui em república unitária e independente das outras repúblicas da América Central |
| 1842 | 1842 | Revolução Liberal em São Paulo e Minas Gerais |
| 1843 | 1843 | Começa o estado de sítio de Montevidéu, com as tropas do Governo de Rosas |
| 1844 | 1844 | Segundo Reinado: D. Pedro II anistia os líderes da revolução de 1842 |
| 1845 | 1845 | Morse inventa o telégrafo elétrico |
| 1848 | 1848 | Publicação do Manifesto Comunista |
| 1848 | 1848 | Rebelião Praieira em Pernambuco |
| 1850 | 1870 | Apogeu do Império no Brasil |
| 1850 | 1850 | Inauguração da linha de vapores do Rio de Janeiro para a Europa |
| 1850 | 1850 | Criação da província do Amazonas |
| 1850 | 1850 | A Lei Eusébio de Queiroz extingue o tráfico negreiro |
| 1851 | 1852 | Conflito: Guerra contra Rosas e Oribe |
| 1852 | 1852 | Conflito: Batalha de Monte Caseros (Argentina). General Urquiza derrota o presidente Rosas |
| 1852 | 1852 | Inauguraçao das primeiras linhas telegráficas do Brasil |
| 1854 | 1854 | Inauguração da primeira estrada de ferro do Brasil |
| 1855 | 1855 | Início da carreira literária de Machado de Assis |
| 1857 | 1857 | Cultura: Flaubert publica Madame Bovary |
| 1857 | 1857 | 08/03 - ataque incendiário da polícia causa morte de 129 operárias americanas, na fábrica Cotton, em Nova York. Na data, foi instituído o Dia Internacional da Mulher. |
| 1859 | 1859 | Ciência: Darwin lança A Origem das Espécies |
| 1861 | 1861 | Brasil e Inglaterra rompem relações diplomáticas |
| 1861 | 1865 | Guerra da Secessão nos Estados Unidos |
| 1861 | 1861 | Rompimento de relações entre Brasil e Inglaterra (Questão Christie) |
| 1861 | 1861 | O Paraguai declara guerra ao Brasil - Solano Lopes invade o Mato Grosso |
| 1864 | 1865 | Guerra contra Aguirre, do Uruguai |
| 1865 | 1870 | Guerra do Paraguai |
| 1867 | 1867 | Publicação de "O Capital", de Carl Marx |
| 1867 | 1867 | Inauguração da estrada de ferro Santos-Jundiaí |
| 1869 | 1869 | Inauguração do canal de Suez |
| 1870 | 1870 | Intelectuais portugueses debatem idéias anti-burguesas e anti-românticas |
| 1870 | 1889 | Declínio do Império no Brasil |
| 1870 | 1870 | Lançamento da Campanha Republicana no RJ |
| 1871 | 1871 | Comuna de Paris |
| 1871 | 1871 | Lei do Ventre Livre, declara libertos os filhos de escravos, nascidos a partir dessa data |
| 1873 | 1873 | Primeiro Congresso do Partido Republicano Paulista |
| 1875 | 1875 | Fim da Questão Religiosa |
| 1876 | 1876 | Conflito: assinatura do tratado de paz que pôs fim à guerra entre Argentina e Paraguai |
| 1876 | 1876 | Ciência: Graham Bell patenteia o telefone, sua invenção |